Atendimentos devido ao consumo de álcool têm alta
de 5,1% entre 2005 e 2006 na Capital. Em 9 anos, 4.789 internações
foram feitas em Goiás
O
uso de bebidas alcoólicas entre as mulheres preocupa os órgãos
de saúde. Dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES)
mostram que, entre junho de 1998 e junho de 2007, foram registrados
4.789 casos de internação de mulheres que tiveram algum
tipo de transtorno mental ou comportamental devido ao uso de álcool
nas unidades estaduais de saúde.
Em
Goiânia, somente no Centro de Atenção à Saúde
de Alcoolistas e Toxicômanos (Casa), vinculado ao Centro de Apoio
Psicossocial (Caps) da Secretaria Municipal de Saúde, o número
de casos aumentou em 5,1% entre 2005 e 2006. Há dois anos, entre
todas as pessoas atendidas, 88,5% eram do sexo masculino e 11,5%, do
sexo feminino. No ano passado, as estatísticas constataram que
83,4% das pessoas que procuraram o centro eram homens e 16,6% eram mulheres.
Entre
as mulheres, o uso de álcool é o terceiro maior causador
no índice de internações, perdendo somente para
os casos de transtornos mentais e comportamentais (1º lugar) e
internações motivadas por transtornos afetivos (2º
lugar). Os distúrbios psiquiátricos também são
mais comuns em mulheres que abusam de álcool do que em homens
que o fazem. A prevalência de depressão em mulheres que
abusam de álcool é de 30% a 40% dos casos.
Estudos
demonstram que a maior parte das mulheres bebe como forma de se livrar
dos sintomas associados a quadros de depressão primária.
Outras doenças, como anorexia e bulimia, estão presentes
em 15% a 32% das que abusam de álcool. Além disso, as
que abusam de álcool tentam o suicídio quatro vezes mais
freqüentemente do que as abstêmias.
Segundo
a assistente social do Caps/Casa e especialista em serviços de
saúde, Izaura Valentim da Silva, que trabalha diretamente com
vítimas do alcoolismo, o tratamento em mulheres é mais
complexo por que apresentam sintomas associados à doença,
como conflitos familiares, socioeconômicos, ansiedade e depressão.